Por que beijo os livros

 

Tudo começou na Bienal do Rio de 2001, numa tarde de autógrafos. Uma fila de meninas se formara, todas com livrinho na mão esperando a hora de pegar a minha assinatura. Eram fofas até dizer chega, alunas de um colégio que minha memória cambaleante não se lembra de jeito nenhum, e muito carinhosas e tagarelas. De repente, uma delas pediu, do nada:

 — Beija aqui? — disse, apontando para sua bochecha. — Mas beija com marquinha!

 Achei uma graça aquele pedido inesperado e obedeci feliz. Logo depois, para minha surpresa, a menina me pediu para beijar a página em que eu tinha feito a dedicatória para ela. Beijei. E meu autógrafo ficou tãããão fofo com aquela marquinha de boca sob o meu nome!

 Depois dela, simplesmente todas as meninas da fila pediram a mesma coisa. E eu fiquei muito amarradona ao ver o carinho com que elas cuidavam do meu beijo. Abanavam a marquinha, assopravam, nem fechavam o livro. Tudo para que meu beijo não borrasse. Não é fofo, fofo, fofo?

 Desde esse dia eu não dei um autógrafo sequer sem beijo. Se não tem beijo, não é meu autógrafo! É falsificado! Piratão!  :o)  

Na Bienal de São Paulo de 2004, meu livro Tudo por um Pop Star foi campeão de vendas do estande da Rocco, vendi mais de 800 exemplares durante os 11 dias da Bienal e dei, por baixo, umas duas mil bitocas em livros, agendas, bloquinhos, camisetas e bochechas. Meus beijos fizeram tanto sucesso que viraram até matéria do Jornal Nacional.  U-au!