Home Livros Tudo por um feriado

 

— Posso pagar seu algodão-doce? Quero adoçar a sua vida...

— Puxa, você estava indo tão bem... Não precisava da parte do adoçar, mas vou fingir que não ouvi para aliviar sua barra.

 Ele ruborizou, concordou com Gabi e, sorrindo, pagou um para ela, outro para ele. Fizeram um brinde com seus dois algodões-doces e saíram da fila.

Para se fazer entender em meio ao baticum que estava rolando, chegou bem perto do ouvido da menina e disse, sem rodeios:

— Não vou te enrolar, morena. Podia puxar um assunto atrás do outro, mas não consigo. Estou louco de vontade de te dar um beijo.

Bom, ela gostava de beijar, ele era bonito, ela estava sozinha, ele gostara dela e, principalmente, era carnaval.

Gabi não precisou pensar muito.

— Tá — respondeu, sem piscar.

E beijou.

E que beijo bom!

Beijo demorado, encaixado, molhado, nada babado.
Enquanto beijava, enrolada nos braços do menino bonito, Gabi nem suspeitava que os paralelepípedos de Porto das Rosas estavam prestes a voar pelos ares. Faltava muito pouco para um terremoto daqueles acontecer e virar de cabeça para baixo a pacata cidade mineira.